Escola Infantil Janelinha - Oficina de Jogos Lógicos

Imaginar que vamos manter nossas crianças por muito tempo longe da hipnotizante internet, e do rutilante youtube, é praticamente impossível. Se não por nós, que não podemos viver numa ilha, (embora às vezes dê vontade), pelo convívio com outras crianças / famílias onde não está entre os seus “top five” a preocupação em conciliar a qualidade e a quantidade desta imersão, desde que os pequenos os deixem fazer “suas próprias coisas” sem atrapalhar.

Quem consegue driblar este atiçamento quase indecente e incessante, estabelecendo contexto, tempo e qualidade, está de língua de fora, mas de parabéns. Incutido neste cenário está o pacote completo, televisão, netflix com seus filmes, desenhos, shows, vídeo game e os famosos vídeos no youtube. Ou será que tudo é a mesma coisa? Será que uns merecem mais créditos que outros ou algum (uns) até entrariam no rol da “livre demanda”?

Com certeza que a resposta depende do ponto de vista daqueles que estão “ali” para educar, isto é, ensinar a criança sobre valores, prioridades, escolhas, experiências que julgam relevante de serem vivenciadas. Uma coisa é fato, estudos mostram que é durante a 1ª infância que o cérebro desenvolve a maioria das ligações neuronais. É a janela em que experiências, descobertas e afeto são levados para o resto da vida. A conta é simples: É a época da pavimentação. Fase em que o cérebro funciona tão bem quanto a de um super herói. De 700 a 1000 conexões por segundos. Aprende-se muito e rápido. Como neste momento o cérebro é moldado, as experiências e o meio em que se vive são essenciais.  A isto os cientistas chamam de plasticidade.

Consequentemente, da mesma forma, fatores de risco tem um efeito inverso, e mais uma vez a qualidade da educação e dos estímulos que proporcionamos precisam ser constantemente avaliados por todos os envolvidos. Pode ser relevante pararmos para pensar, para além dos itens vigilância de conteúdo que está intimamente correlacionada a falta de consciência da criança em sempre saber escolher, o que é óbvio, assim como o estabelecimento de um tempo relógio para tal. Vale pois engrossarmos este caldo colocando outros ingredientes deveras relevantes que quando associados de maneira zelosa, consciente, discernida, resultarão em um plano de ação que faça sentido para cada família, mas que pode e deve sempre ser revisitado e re escolhido.

É na 1ª infância que a criança aprende a se socializar, a fazer amigos, ser mais tolerante, saber esperar… habilidades que precisam expandir do universo on-line, ainda que estes também possuam jogos “educativos”. Sem contar a questão do estabelecimento de limites, e da construção e aperfeiçoamento da própria comunicação, características em franca expansão nesta fase. Assim como ficar tempo demais fazendo uma mesma coisa, pode não ser saudável, e estar muito tempo diante de eletrônicos ainda que se varie o recurso, é estímulo virtual igualmente.

A intenção não é demonizar o mundo virtual. Bem pelo contrário. É saber aproveitar todas as maravilhas que ele nos oferece. No entanto sem disfarçar a expressão “saber aproveitar…”. Então, não da para fugir de avaliarmos qual lugar que os eletrônicos estão ocupando na vida das nossas crianças. Se estão exercendo um papel que realmente agrega, ajuda, colabora, ou se encontram-se desempenhando a função do famoso “cala a boca”. Não adianta equipar a criança de tecnologia e torna-la pobre de formação e atenção. A real é que em se tratando de filhos e educação, colocar os burros na sombra e descansar não será nunca uma boa opção.

 

Viviane Roncato – Pedagoga, Psicopedagoga e Diretora Pedagógica

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